Net Zero, Carbono Neutro, Clima Positivo ou Carbono Negativo? P

A corrida está em andamento: com anúncios quase diários de iniciativas de redução de carbono da União Europeia, de outras potências mundiais e de mais de 1.000 empresas em todo o mundo, incluindo 38% das Fortune 500, há um forte movimento de organizações intensificando seus compromissos climáticos para atender ao apelo à ação de 1,5°C.

Embora muitas empresas tenham assumido compromissos públicos, ainda há muitas discussões sobre o que exatamente constitui o net-zero ou zero líquido (e, talvez o mais importante, o que ele não é). As definições de zero líquido, carbono neutro, clima positivo e carbono negativo carecem de definições claras e amplamente aceitas. As iniciativas diferem com base no que uma empresa vende, possui ou influência – e o que ela está trabalhando para reduzir. A taxa de redução de emissões associada às alegações de neutralidade nem sempre é clara e nem as formas pelas quais as emissões restantes podem ser reduzidas. Além disso, companhias como a Ikea agora entram no espaço do clima positivo (ou será carbono negativo?) comprometendo-se a remover mais dióxido de carbono da atmosfera do que emite. Sendo assim, onde está o terreno comum?

Infelizmente, a resposta definitiva para essa pergunta não é clara. Especialistas estão em discussões contínuas para estabelecer um padrão global. No entanto, abaixo estão algumas perguntas que as empresas podem usar como uma lista de verificação para entender os compromissos dos concorrentes e para projetar os seus:

1. O que significa 'net-zero' para o nosso planeta?

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais exige que as emissões líquidas globais de gases de efeito estufa antropogênicos (GEE) atinjam zero líquido por volta de 2050. Isso significa que nenhuma emissão adicional poderá ser adicionada à atmosfera. A maioria dos cenários utilizados para esta via inclui a remoção de dióxido de carbono, referente a atividades que removem emissões da atmosfera por meio de sequestro ou florestamento. A trajetória de zero emissões líquidas é o resultado de um equilíbrio entre emissões reduzidas pela descarbonização (-), remoção de carbono (-) e emissões de carbono remanescentes (+) que provavelmente ocorrerão mesmo após 2050 para algumas geografias e processos.

2. O que separa a neutralidade do carbono e do clima?

Neutralidade de carbono, emissões líquidas zero e neutralidade climática são frequentemente usados ​​como sinônimos, significando a neutralização do impacto da atividade humana no sistema climático. No entanto, na ciência, o escopo de neutralizar as forças climáticas difere, pois existem outros gases de efeito estufa além do CO2 que contribuem para as mudanças climáticas. As definições do IPCC SR15 podem ajudar a distinguir entre carbono neutro, clima neutro e zero líquido: De acordo com o Protocolo da UNFCCC/Kyoto, os GEE relevantes são atualmente: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), hidrofluorocarbonetos (HFCs), perfluorocarbonos (PFCs), hexafluoreto de enxofre (SF6) e trifluoreto de nitrogênio (NF3).


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3. E quanto ao escopo das emissões?

Uma consideração crucial em qualquer compromisso de carbono/clima neutro ou emissões líquidas zero é quais escopos de emissões as atividades de uma empresa impactam. As emissões são divididas em Escopo 1, Escopo 2 e Escopo 3. O Escopo 1 inclui as emissões sob controle direto da companhia, como o consumo de combustível no local ou emissões da frota. O Escopo 2 inclui emissões geradas indiretamente a partir de eletricidade comprada. Já o Escopo 3 são contempla todas as outras emissões indiretas, incluindo aquelas geradas por viagens de negócios, gerenciamento de resíduos e emissões da cadeia de valor comercial.

 

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Cada escopo deve ser abordado de forma diferente. Por exemplo, como uma ferramenta de redução de emissões, a eletricidade renovável normalmente só pode ser usada para abordar as emissões do Escopo 2, em uma proporção de 1:1. As emissões de Escopo 1 e Escopo 3 podem ser abordadas por diversos meios, incluindo práticas de eficiência energética, reduções de consumo, compensações de carbono, circularidade, troca de combustível/biocombustíveis, compra de veículos elétricos, tecnologias inovadoras, engajamento da cadeia de valor e muito mais.

Há exemplos de como esses limites podem ser aplicados na prática: o grupo BT, a Bosch, a Novartis e a LG são algumas das muitas organizações que reivindicam a neutralidade de carbono para suas próprias operações, principalmente abordando as emissões de Escopo 1 e 2, dada a dificuldade de abordar as emissões de Escopo 3. Objetivos ainda mais direcionados, como “transporte sem carbono”, “crescimento carbono neutro” ou limites geográficos, adicionam mais complexidade à discussão.

Muitos especialistas concordam que o teste decisivo da credibilidade dos compromissos públicos de descarbonização são as metas baseadas na ciência (Science Based Targets – SBT, em inglês). Qualquer iniciativa validada pela SBT que requeira a neutralidade precisa incluir as emissões do Escopo 3, mesmo que seja em um plano de ação híbrido.


Descubra o escopo das metas de descarbonização da Schneider Electric.


4. Qual é o horizonte certo de tempo?

Os caminhos do IPCC que limitam o aquecimento a 1,5°C exigem que as emissões líquidas globais sejam zeradas até 2050. No entanto, isso não é descrito como um declínio linear nem significará o mesmo ritmo para todas as empresas em todas as geografias. Muitas organizações estabeleceram suas metas de zero emissões líquidas para 2030 ou até antes, atuando como pioneiras e estimulando a ação de seus concorrentes. A Microsoft deu um passo além com seu anúncio de ser carbono negativa até 2030, comprometendo-se a remover todo o carbono que a empresa emitiu diretamente ou por consumo elétrico desde que foi fundada em 1975 até 2050. Em teoria, o carbono já adicionado ao mundo também pode ser removido – mas nenhuma tecnologia de remoção de GEE foi implantada em escala até hoje. Esses sonhos de longo prazo não devem impedir a definição de metas de curto prazo e as atividades de descarbonização necessárias.

5. E as compensações?

As compensações de carbono podem ser um componente valioso nas estratégias de neutralidade de carbono de uma empresa, principalmente quando existem poucas alternativas disponíveis atualmente. Uma compensação de carbono (também chamada Redução Certificada de Emissão ou RCE) é a redução de uma quantidade específica de emissões de gases de efeito estufa resultantes de uma ação de compensação para destruir, remover ou impedir que o carbono entre na atmosfera. Comumente, esses projetos incluem sequestro ou arborização e frequentemente oferecem outros benefícios, como estímulo econômico ou melhorias na saúde humana. As compensações de carbono podem ser obtidas de fontes de alta qualidade, que geralmente transmitem adicionalidade e são registradas e aposentadas por entidades conceituadas em todo o mundo.

No entanto, o uso de compensações de carbono permanece controverso. Equilibrar emissões com remoções atmosféricas faz parte dos caminhos mais relevantes do IPCC, como complemento à uma descarbonização avançada. Mas os impactos das opções de remoção de carbono dependem do tipo de projeto selecionado e da escala de implantação. Por exemplo, caminhos que estão sujeitos à implementação de medidas relacionadas à terra em larga escala, como florestamento e fornecimento de bioenergia, podem competir com a produção de alimentos e, portanto, aumentar as preocupações com a segurança alimentar. Também há preocupações de que as empresas passem a depender de compensações e evitem tomar medidas para reduzir as emissões de Escopo 1 e Escopo 3 de outras maneiras. Por esses motivos, as compensações não reconhecidas pela iniciativa Science-Based Targets como uma tecnologia de redução de carbono apropriada, a não ser que a organização queira ir além das metas validadas por ela.

Há precedentes para que as commodities ambientais sejam desafiadas e forneçam um importante sinal de demanda do mercado. Historicamente, os Certificados de Energia Renovável (EACs, em suas siglas em inglês) foram denegridos por razões semelhantes, mas eles construíram a base para a compra corporativa de eletricidade renovável disparar. Hoje, os EACs são um mecanismo reconhecido para o rastreamento e a comercialização de energia renovável em todo o mundo. Compensações de alta qualidade podem servir ao mesmo propósito, principalmente considerando a escassez de tecnologias eficazes de redução de carbono em alguns segmentos, como viagens aéreas e transporte marítimo.

Hoje, a maioria das empresas que definem metas de neutralidade usa uma abordagem híbrida que inclui um grau de descarbonização e outras abordagens de mitigação, como compensações. No entanto, nem todos os créditos de carbono são eficazes para neutralizar os impactos climáticos. O papel das compensações na estratégia de uma empresa deve ser considerado, mas não escolhido em favor de uma descarbonização das atividades empresariais.

6. O próximo objetivo é clima positivo ou carbono negativo?

Uma curiosidade interessante para a última pergunta: qual é a diferença entre a meta de ser carbono positivo da Unilever e a meta de ser carbono negativa da Microsoft? Se trata de uma questão de redação, já que ambas significam fazer mais do que se tornar carbono neutro. Do ponto de vista lógico, parece que o clima positivo significa que uma atividade vai além de atingir emissões líquidas zero de carbono para realmente criar um benefício ambiental ao remover dióxido de carbono adicional da atmosfera. Mas o carbono positivo também é amplamente utilizado pelas organizações que descrevem as duas definições anteriores.

Compreensivelmente confuso, mas, em última análise, é uma questão importante a ser respondida para preservar a validade dessas alegações.

À medida que as empresas consideram seus compromissos e reivindicações neutras em carbono, é fundamental que evitem a lavagem verde. Pode ser fácil querer saltar para a neutralidade de carbono com os dois pés, mas as empresas devem entender quais escopos de emissão estão abordando e como antes de aplicar um desses rótulos muitas vezes incompreendidos.

Se ainda sobrou alguma dúvida em relação às metas de descarbonização que você deve estabelecer, entre em contato com a nossa equipe de especialistas por aqui.

 

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